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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Buda Maitreya (Buda Gordo ou Hotei)

 Buda Maitreya

Geralmente se coloca o altar para Maitreya na entrada dos templos. A aspiração pela Iluminação e por se tornar o "Buda futuro" é gerada logo ao se passar pela porta do templo. Ele também é colocado na entrada das casas!

O verdadeiro Maitreya, tem bilhões de manifestações. Muitas vezes ele se mostra para as pessoas de sua época, muitas vezes as pessoas não o reconhecem...

Ele também é chamado de Xiào fú, ou seja, Buda Sorridente. Expressa a alegria de poder ouvir e praticar o Dharma!

Maitreya, Hotei ou Budai são o mesmo personagem. Segundo a tradição chinesa, Budai foi um monge que viveu na Dinastia Liang posterior (907-923 da Era Comum) e que era uma manifestação do Buda Maitreya.

Seu nome budista era Qieci. Suas virtudes, simplicidade e alegria, demonstravam o potencial de Iluminação das pessoas comuns, sem a necessidade de se fazer teatrinho de solenidade e seriedade (coisa que muitos monges apreciam tanto hoje em dia). Justamente por isso, por ele ser uma pessoa bem-humorada e sorridente, foi chamado de Xiào fú, ou seja, Buda Sorridente.

Seu aspecto um tanto largado, caricato e sua completa falta de preocupação com aparentar santidade, foi demonstrada em um hino que ele pronunciou antes de sua morte: "Maitreya, o verdadeiro Maitreya, tem bilhões de manifestações, às vezes ele se mostra para as pessoas daquele tempo, outras vezes, elas não o reconhecem."

Estátua de Maitreya no templo da THIRB

Hotei, assim como eu e você, tinha a natureza búdica. Ele a manifestou, ou seja, atingiu o Estado de Iluminação (Bodhi). O Buda Maitreya é uma figura que indica que todos nós somos Budas do futuro. Cada um de nós que manifesta o Estado Iluminado (Bodhi) é um Buda. Não há nada de extraordinário nisso.

Hotei foi um Buda, uma manifestação do Estado de Iluminação. E nessa época atual? Onde estará Maitreya? Cada um de nós deve aspirar por tornar-se Maitreya. Cada um que manifesta o Verdadeiro Dharma (Shobô), de alguma maneira manifesta Maitreya. Maitreya não é um messias, não é alguém que virá em um futuro distante. Maitreya é a promessa de Iluminação a cada um.

Arcebispo Dharmamanda

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A Escola Tiantai / Tendai


Tiantai foi a primeira das chamadas novas escolas budistas da época Sui-Tang. Seu fundamento canônico remonta à popular Escritura do Lótus e o nome da escola procede de uma montanha no Sul da China, que tinha importância histórica e servia como um grande centro de estudos da escola Tiantai. A sua abordagem equilibrada e sofisticada do estudo e prática do budismo combinava a exegese escritural meticulosa, a especulação metafísica criativa e a sistematização abrangente da prática meditativa. A figura fundadora da escola Tiantai e seu melhor representante é Zhiyi (538-597), um dos pensadores mais brilhantes da história do budismo do Leste Asiático. Zhiyi sintetizava as vertentes predominantes do budismo da época, reunindo as tradições intelectuais do budismo sulista com as práticas contemplativas características do budismo do Norte. Ao integrar essas duas vertentes em uma totalidade coerente, ele produziu um sistema completo de teoria e prática, reconhecido amplamente como uma das marcas registradas do budismo chinês.

Durante a sua vida, Zhiyi alcançou grande fama e conquistou amplo respeito como monge exemplar de alguns dos arquétipos monásticos mais significativos e respeitáveis: era um conferencista fascinante, praticante de meditação e um pensador inovador. Ele também recebeu copiosas menções honrosas e generoso patrocínio dos dois primeiros imperadores da Dinastia Sui, que reuniu a China em 589. Entretanto, os estreitos laços com a Dinastia Sui traziam vantagens e desvantagens, pois causaram um impacto negativo no destino da escola Tiantai com a chegada ao poder da sucessora Dinastia Tang, em 618. A escola sobreviveu de forma organizada durante boa parte da era Song e enfrentou períodos de notável revitaliação e desenvolvimento criativo entre os séculos VIII e XI.

Um quadro de referência filosófico básico formulado por Zhiyi era a doutrina das três verdades, que é uma expansão da doutrina de duas verdades proposta pela tradição do Caminho do Meio do budismo indiano. As duas verdades postulavam dois níveis de aspectos da realidade, o convencional e o absoluto. Zhiyi apresentou uma análise da realidade em termos de três aspectos integrados e inter-relacionados: (1) a vacuidade, (2) a existência convencional e (3) a média (ou “centro”), que incorpora os dois primeiros numa realidade unitária. A realidade última, em si própria, é considerada inconcebível, pois sua sutileza inestimável está além da capacidade humana de conceitualização ou explicação verbal. Dentro do sistema interpretativo de Zhiyi, as três verdades apontam para a natureza unitária da realidade, que engloba todos os modos de existência, desde os habitantes do inferno até os Budas plenamente iluminados. Isso levou Zhiyi a formular uma compreensão peculiar da realidade, que abarca a existência de todas as coisas no universo, expressa de modo sucinto por uma famosa máxima Tiantai, segundo a qual “os três mil reinos da existência têm uma presença inerente em cada momento do pensamento.”

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Budismo e as Armas


Gostaria de compartilhar com os amigos alguns conceitos relativos à posição do Budismo sobre armas de fogo e ao direito de defesa.

Há um conceito equivocado entre as pessoas de que o Budismo seria “pacifista”, no pior sentido da palavra, ou seja, que advogaria a capitulação irrestrita diante do inimigo, sem oferecer qualquer resistência.  Tal postura não é verdadeira e se deve ao desconhecimento da Doutrina Budista (Dharma) por parte dos representantes de instituições e templos que, sendo eles mesmos partidários de ideologias políticas totalitárias de esquerda - ideologias estas que pregam o desarmamento da população para um domínio total, confortável e sem resistência  por parte do governo -, afirmam ser isso “a posição budista”, ou seja, misturam suas ideologias políticas com o Budismo e confundem a cabeça das pessoas que buscam por esclarecimento.

O Budismo ensina “ahimsa”, um conceito que é muito citado mas pouco compreendido. O que é ahimsa? Para respondermos a essa questão é necessário contextualizarmos a sociedade em que tal palavra nasce.

A Índia Antiga era uma sociedade governada por guerreiros (kshatriya) e com uma longa tradição espiritual eminentemente guerreira. A Índia foi civilizada pelos aryas, uma civilização que partiu do Cáucaso e ocupou o Vale do Indo (e também diversas outras áreas da Europa), que substituiu uma cultura agrícola e pastoril por uma civilização guerreira, aristocrática e sacerdotal. A própria casta sacerdotal não se furtava a atividades guerreiras. Alguns estilos de combate indianos, inclusive, eram exclusivos dos brâmanes (sacerdotes).

A palavra “ahimsa” aparece no Rg-Veda, no Sama-Veda, na Isavasya Upanishad, no Yoga-Sutra de Patanjali, entre outros livros sagrados da Índia Antiga. Aliás a ideia de amor pela vida é védica, é o “Viswaprema”. Buda não as inventou, só divulgou as ideias já presentes na literatura védica e na cultura indo-ariana.

A palavra “himsa”, em sânscrito (a língua clássica da Índia Antiga), quer dizer “ferimento”, “lesão”, “dano”, “mal”, “doer”, “malícia”. Himsa é a malícia ou a personificação do desejo de causar dano. “Himsarata” é o prazer em causar dano ou em prejudicar. “Himsakarman” é ato hostil ou injurioso. Sendo assim, “ahimsa” é, literalmente, “aquilo que não causa dano, mal”, ou “aquilo que não é feito com o desejo de causar dano”, “aquilo que não é feito maliciosamente”. 

Violência, em sânscrito, é “prabalah” ou “vegavam”. O sentido dessas palavras é o de “exercer uma força contra aquilo que lhe causa obstáculo”, ou seja, não tem uma conotação negativa. É o mesmo sentido de “vento violento”, “choque violento” ou “violenta explosão”, sem um conceito moral intrínseco.

Atacar com violência um malfeitor que lhe causa problemas ou está lhe atacando não porta o sentido de “malícia”, de “desejo de causar dano”, “desejo de causar mal”, mas, pura e simplesmente, de se preservar, preservar a terceiros ou preservar um bem que está sendo usurpado ou atacado. Em outras palavras, você pode dar um tiro em um assaltante ou em um estuprador e não ter ferido o princípio de ahimsa. Se eu mato um agressor, não o faço por ‘malícia’ ou pelo prazer de matar, mas sim por um estado de sobeja necessidade. Se meu país é invadido e minha casa é atacada, tenho o direito de me defender. Isso não é contra o princípio de ahimsa.

A idéia de empregar a palavra “violência” como algo negativo é moderna. Tomou sentido mais definido depois de Nietzsche, G. Sorel e o sindicalismo revolucionário. A palavra também adquire contornos negativos com Montesquieu, no “Espírito das Leis”.

Para não nos alongarmos nessa questão, basta lembrar aos leitores que a maioria dos clássicos espirituais da Índia Antiga remetem a batalhas (Bhagavad-Gita, Ramayana, Mahabharata etc.) e que os deuses são apresentados portando armas, em posição de luta, usando carapaças, armaduras etc. Em uma rápida passada de olhos pelos avatares (manifestações) do deus Vishnu, por exemplo, podemos constatar que a maioria deles são manifestações guerreiras (Varaha, Narasimha, Rama, Parashurama, Krishna e o vindouro Kalki, ou seja, de dez avatares, seis são guerreiros).

É muito difícil acreditar que em uma sociedade com tal panorama cultural houvesse uma ideia como “não-violência”, ou seja, uma ideia de “demonização” de toda e qualquer ação violenta, de entreguismo, de rendição incondicional, de não uso da força, de não reação perante uma agressão ou coisa parecida.
No Bhagavad-Gita, um dos clássicos indianos mais conhecidos no Ocidente, por exemplo, Krishna aconselha Arjuna nos seguintes termos:

“Considerando seu dever específico de kshatriya (guerreiro), você deve saber que não há melhor ocupação para você do que lutar conforme determina seu dharma; e assim não há necessidade de hesitação.
Ó Partha, felizes são os kshatriyas a quem aparece esta oportunidade de lutar, abrindo-lhe a porta do paraíso.
Se, contudo, você não executar seu dever e não lutar, então certamente incorrerá em falta por negligenciar seus deveres e perderá sua reputação.” (Bhagavad Gita, Capítulo 2, versos 31, 32 e 33)

O Budismo nasce na Índia do século V a.E.C., e seu fundador, Siddharta Gautama, que é chamado de “Buda” (O Desperto) era um guerreiro, nascido na classe dos kshatriyas. É bem pouco crível que um guerreiro, nascido em meio de uma sociedade de guerreiros, educado desde a infância no manejo das armas, fosse um “entreguista” ou que advogasse a covardia e a não-reação diante de uma injusta agressão.

No Anguttara Nikaya (A.iii. 38.f ; iv 79f.), que é parte das escrituras sagradas do Budismo, podemos ver duas discussões entre Buda e o General Licchavi de Vesali, Siha, que era seu discípulo. Nos Jatakas (outra parte das escrituras sagradas do Budismo) também há referências ao discípulo de Buda, o General Siha. Nestes textos pode-se ler:

“O Buda ensina que o culpado merece castigo, e o digno de favor deve ser favorecido. Porém também ensina que não se deve fazer sofrer nenhum ser vivente, mas ter o coração cheio de compaixão e amor. Estes dois ensinamentos não são contraditórios, porque quem recebe castigo por seus crimes não sofre por maldade do juiz e sim em consequência de sua culpa. Suas más ações lhe acarretaram o mal que lhe inflige o executor da lei. Quando um magistrado castiga, deve estar livre de todo ódio; e o criminoso condenado à morte deve considerar que seu suplício é conseqüente do seu crime, e se compreende que o castigo purificará suas ações, alegrar-se-á da morte.

O Buda ensina que é deplorável toda guerra entre os homens; porém não condena os que guerreiam por uma causa justa, depois de haver esgotado todos os meios de conservar a paz. O causador da guerra merece execração. 
O Buda ensina a completa renúncia ao ego, porém não ensina que as pessoas se entreguem às potestades sinistras. 

(...)

Aquele que luta pelo interesse egoísta de celebridade, grandeza, poderio ou riqueza, não receberá recompensa; porém, o que combate pela justiça e a verdade, receberá o galardão, porque será vitorioso, mesmo que sofra alguma derrota transitória antes do triunfo final.

(...)

Luta, pois, denodadamente, ó Siha, e combate com marcial esforço nas batalhas; ser soldado deverás e o Buda te abençoará.”

Essas palavras combinam com a imagem de um Buda que prega a capitulação frente ao mal?

Em uma outra escritura sagrada do Budismo, o Sutra Mahayana do Grande Nirvana, podemos ler:

“Os defensores da correta Doutrina devem armar-se com facas, espadas e bastões. Mesmo que carreguem espadas e bastões, eu os consideraria homens que observam os preceitos."

Em várias outras passagens das escrituras budistas vemos o conselho dos diversos mestres de que o budista pode e DEVE se defender:

"Nos dias de antanho, o mundo era pacífico e a Doutrina Budista propagou-se por todas as nações. Naquela época, era adequado observar os preceitos sem o uso de bastões. Porém, esta época é perigosa e a Doutrina está obscurecida. Dessa forma, é apropriado carregar bastões  e desconsiderar os preceitos (relativos a isso). Se tanto o passado como o presente fossem épocas pacíficas, seria adequado observar os preceitos sem o uso de bastões em ambas as épocas. Deve-se basear a escolha conforme as situações especiais de cada época e nunca aderir literalmente a uma ou outra opção."
(Mestre Chang-an , 561-632 .E.C., em seu "Anotações sobre o Sutra do Nirvana")

Naquela época, século VI da Era Comum, ele aconselhava a usar bastões para a defesa. Hoje, com toda certeza, aconselharia pistolas, revólveres e outros instrumentos de acordo com cada época.

Ainda hoje, em países onde há agressões à comunidade budista, os budistas se armam e são estimulados a se defender por lideranças autenticamente budistas.

Atualmente no país de Burma, o monge budista Ashin Wirathu lidera um movimento extenso de resistência aos ataques de radicais islâmicos contra a comunidade budista. Os monges são encorajados a andarem armados e a fazerem a segurança dos templos e dos fiéis em caso de ataque. Da mesma forma, há o exército budista de resistência do povo Karen, que atua em Burma e em Myanmar contra as tentativas de sujeição violenta contra esse povo. Obviamente, a mídia “pacifista” condena esses grupos e deseja que simplesmente se rendam e sejam massacrados pelos agressores, assim como a maioria da mídia brasileira, politicamente manipulada, condena os atiradores desportivos e aqueles que querem ter o sagrado direito de se defenderem e de defenderem suas famílias e suas propriedades.

Nós, atiradores e partidários do DIREITO DE LEGÍTIMA DEFESA, temos o amparo de todas as grandes tradições religiosas. E eles, os que querem a população desarmada e vitimizada, têm o apoio da mentira, da ignorância, da hipocrisia e do descaso pela vida.

(André Otávio Assis Muniz, Arcebispo Presidente da Organização Religiosa Budista Tendai Hokke Ichijô Ryu do Brasil, bacharel em Direito, atirador esportivo, membro da CBTD, membro da SASDE – Exército Brasileiro)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Palestra sobre Budismo (Curitiba)

Dia 22 de junho vou palestrar sobre budismo neste evento, o título da apresentação é "Budismo Hoje: Teoria e Prática". Outros temas serão abordados por outros palestrantes, todos relacionados à cultura religiosa japonesa.

Maiores informações no banner abaixo (clique para visualizar melhor):