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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Ideologia de Gênero (O Paradoxo da Igualdade)

A Noruega já percebeu a falácia da ideologia de gênero.



Nosso comportamento, inclinações e desejos não são somente frutos da cultura, há características biológicas inatas que também derterminam quem somos.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Cartilha Gay: A Homossexualidade na Escola

Análise do Material Didático “Escola sem Homofobia”

Este post pretende analisar o capítulo “Retratos da Homofobia na Escola” do Material Didático “Caderno: Escola sem Homofobia”, também conhecido popularmente como “Cartilha Gay”, cuja veiculação nas escolas brasileiras foi proibida em 2011, pois foi entendida por grande parte da sociedade como um material questionável de ensino da sexualidade para crianças e adolescentes. O Caderno, idealizado pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas Travestis e Transexuais (ABGLT), faz parte do chamado “Kit Gay”, que é composto, além da cartilha, de uma série de seis boletins, três audiovisuais com seus respectivos guias, um cartaz e uma carta de apresentação.

É bastante óbvio que todos devam estar submetidos às mesmas leis e direitos, independentemente da orientação sexual “escolhida” e é evidente que mesmo em meio às diferenças é preciso haver respeito, não-violência e tolerância. Mesmo com esse pensamento em comum, a visão que será desenvolvida nesse trabalho não é essencialmente a mesma defendida pelo kit e será exposta com base em pensadores, psicólogos e artigos científicos antigos e atuais; pretende-se, fundamentando-se em ampla bibliografia, apresentar outros pontos de vista sobre a homossexualidade, bem como, explicitar pesquisas que apontam a comunidade homossexual (gays, lésbicas, transexuais e travestis) como mais propensa que a maioria da população geral a manifestar transtornos psicológicos, dependência química e desenvolvimento de algumas patologias, tais como a AIDS e HPV. A ideia com isso não é disseminar o preconceito, mas trazer subsídios mais verossímeis para que o debate e o ensino sobre este polêmico tema ultrapasse as esferas ideológicas e partidárias.



Apresentação

O Material Didático é dividido em capítulos; dentro de cada capítulo existem sessões e no final de cada uma destas sessões é sugerida uma dinâmica de classe para se fixar os “conhecimentos” expostos ao longo dos tópicos.
Este trabalho se limitará ao capítulo “Retratos da Homofobia na Escola” que é divido em alguns temas, dos quais dois serão abordados com mais detalhes, a saber: “Diversidade Sexual” e “Homofobia”.
O tópico “Diversidade Sexual” tem por finalidade atribuir um caráter natural, e não doentio, à homossexualidade, defendendo o ponto de vista de que a “pluralidade sexual” deve ser ensinada desde cedo nas escolas (sem definir claramente uma faixa etária), a fim de que se evite o preconceito. Essa parte ainda discorre sobre os grupos de minorias, que são teoricamente oprimidos por uma maioria heterossexual e machista. Segundo o material, o gay do sexo masculino é visto pela maioria “ignorante” como aquele que, devido a algum distúrbio em sua infância, abdicou seu status de macho e se deixou levar por uma passividade que não é inerente ao homem. Esta definição de gay, como um homem que recusou seu estado biológico, é aparentemente preconceituosa e bastante criticada pelo texto como uma visão retrógrada; porém, é ainda defendida por grande parte da população brasileira e mundial e, como será visto neste trabalho, não se funda apenas em preconceito como a cartilha tende a assumir.

Quando nos referimos à sexualidade, [uma analogia sobre gostos culinários] pode ser bastante útil. Deixemos combinado, desde o princípio, que estamos falando de dois âmbitos muito distintos. Mas, ainda assim, para entender as diversas possibilidades do desejo sexual humano, essa comparação parece pertinente. Eis um exemplo banal: entre nós, brasileiras/os, arroz e feijão representam uma espécie de unanimidade nacional. Mas como lidar com o fato de que existem muitas pessoas a quem esses alimentos simplesmente não agradam? Ninguém ousaria dizer, em sã consciência, que se trata de um “problema genético”; ao contrário, isso nos remete a pensar na pluralidade de gostos, advinda da curiosidade e da liberdade que cada uma/um tem para experimentar outros sabores.”
página 25

Ao final deste tópico a apostila sugere uma dinâmica de grupo chamada “Colocando-se no Lugar do Outro” subentendendo que a orientação sexual não pode ser alterada, classificando o homossexual como refém desta condição.
Já a sessão específica sobre a Homofobia trata da “Heteronormatividade”, conceito que, segundo a apostila, declara os homossexuais como desviados de uma conduta sexual moralmente correta. A ideia é dizer que a heterossexualidade é cultural e que o conceito de normalidade, defendida por esta cultura, é uma imposição que julga aqueles que não se encaixam nessa normatividade como pessoas doentes e moralmente sem referências. Esta discussão dá à homossexualidade, mais uma vez, um caráter determinístico, ou seja, de que uma vez que o indivíduo perceba-se homossexual, não poderá mais deixar essa condição. Portanto, como também será exposto adiante, existem relatos de uma considerável parcela de homossexuais que, incomodados como sua condição, procuram tratamentos psicológicos ou religiosos e tornam-se “novamente” heterossexuais.

A homofobia é uma decorrência inevitável da heteronormatividade, pois funciona como um modo de identificar e tentar punir todo e qualquer afastamento ou “desvio” em relação ao padrão heterossexual institucionalizado, uma vez que este é socialmente imposto a todos/as. A homofobia rotula e inferioriza uma imensa categoria de indivíduos e tem por consequência imediata suprimir ou impedir o exercício de direitos que são comumente acessíveis a todas as demais pessoas.”
página 34

Heteronormatividade é a ideia socialmente difundida e aceita de que, em princípio, todas e todos são heterossexuais e, portanto, a heterossexualidade é a sexualidade nata, natural ou padrão dos seres humanos – de modo que todas as demais manifestações da sexualidade são desvios da normalidade. O pensamento guiado por essa norma social estabelece que, ao ser identificado como macho ou fêmea, um corpo tem seu desejo sexual necessariamente dirigido ao sexo oposto. O processo de construção da heteronormatividade – através da produção e repetição incessante e obrigatória da norma heterossexual – mantém-se graças à “fiscalização” do cumprimento dessa lógica, da continuidade e da coerência sexo/gênero/sexualidade. Uma das faces dessa “fiscalização” é a homofobia, que torna excludentes aquelas/es que não se enquadram na heteronormatividade.”
página 59

Ao final da sessão, a apostila sugere mais uma dinâmica em grupo intitulada “Homofobia em Ação”, incentivando os alunos a relatar e refletir sobre casos de preconceito social: como os gays são visto em novelas, filmes e como são estereotipados em piadas e comentários do dia a dia.
O trabalho elaborado pela ABGLT diz não ser necessário se preocupar com as causas da homossexualidade e critica o modelo tradicional de família com pai, mãe e filhos classificando-o como um modelo opressor.

Correção

Como ponto positivo, a apostila desperta no aluno a importância de reconhecer as diferenças e abarcá-las em seu convívio. O preconceito, expresso nesse caso como homofobia, realmente existe. É preciso conscientizar a sociedade de que qualquer forma de agressão ou discurso que venha a prejudicar diretamente e objetivamente a vida dos homossexuais deve ser rechaçado. A homossexualidade é uma realidade e os direitos aos indivíduos que se relacionam com outros do mesmo gênero, como a união estável e a adoção de filhos (mesmo em meio às controvérsias que serão discutidas adiante) devem ser garantidos.
Entretanto, o material didático contém inúmeros pontos discutíveis, os quais serão abordados na sequência.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Valores morais: universais ou relativos?


Por: Rev. Dharmamanayu

Estes dias estava lendo um artigo muito interessante chamado “Universalismo versus relativismo no julgamento moral”, da autora Angela M. B. Biaggio. O trabalho discorre sobre a visão moral universalista, defendida por psicólogos como Piaget e Kohlberg, por exemplo, que se apropriaram da filosofia universalista, em contraponto com a visão moral relativista de outros estudiosos da mesma área.

Piaget


Do lado de Piaget, os especialistas, fundamentados principalmente no pensamento de Immanuel Kant, como Turiel, defendem que não há variâncias significativas no desenvolvimento cognitivo e moral entre os seres humanos, desde o nascimento até a maior idade, sendo que estes passam, independentemente da cultura, pelos mesmos estágios evolutivos. Através de pesquisas com crianças de diversas faixas etárias, as conclusões obtidas por estes estudiosos podem ser sintetizadas da seguinte maneira: atos que ferem o domínio moral são julgados como transgressões mais graves do que os do domínio da cultura a qual estes indivíduos estão submetidos. Por exemplo, derrubar uma criança do balanço é considerado mais grave do que comer com as mãos, mesmo por crianças de maternal. Atos morais são julgados como errados em qualquer sociedade; atos convencionais, somente onde há uma regra contra eles.

Kant

Já os relativistas como Richard Shweder, apoiaram-se em modelos de pesquisas similares às propostas pelos universalistas, porém em países de culturas orientais, e obtiveram resultados distintos, que contradiziam os estudos dos universalistas. As crianças da Índia, por exemplo, pareciam propor que muitas das transgressões de convenção social eram julgadas mais graves do que as morais; ainda sugeriam que as regras sociais não eram alteráveis e deveriam ser obedecidas universalmente; enfim, pareciam estar mais apegadas aos valores culturais do que aos morais.
Não há ainda nada de conclusivo a respeito do assunto. Atualmente há quem critique a metodologia aplicada, acusando-a de não ter poder conclusivo tanto para justificar ou derrubar pontos de vistas de ambos os lados. Assim o impasse continua, sendo que a moralidade é vista como relativa a uns e universal a outros.

Polêmicas à parte, existem também os cientistas unificadores como James Rest que defendem a necessidade de um aprofundamento nas metodologias, a fim de se demonstrar a veracidade das sequências evolutivas defendidas pelo grupo de Piaget e Turiel e desmistificar as conclusões de Shweder na defesa do relativismo extremo. Os unificadores tentam articular estes pontos de vistas de uma maneira mais ou menos assim: desenvolvendo a ideia de uma "moralidade comum", construída, por ideais morais compartilhados de uma comunidade, testados pela coerência lógica (equilíbrio reflexivo). Rest não aceita a posição universalista pura, defendendo um tipo de moralidade "em fluxo", que pode se modificar, de acordo com a época e a cultura, tão logo uma articulação mais coerente e refinada se apresente, assim como ocorre nas demais ciências que estão sempre em "fluxo". Ou seja, verdades aceitáveis em uma determinada época são substituídas na medida em que “verdades maiores”, mais prováveis e mais gerais que as antigas, são desenvolvidas. Eckensberger, também unificador, defende que Piaget nunca desconsiderou a influência da cultura na formação moral, apesar de salientar o universalismo.

Apesar da questão não estar 100% resolvida, os universalistas, de Kant a Piaget e Kohlberg são bastante convincentes e são apoiados por diversos pesquisadores, mesmo pelos unificadores como Rest e Eckensberger, que apesar de não serem universalistas puros, acabam se inclinando mais ao universalismo do que ao relativismo. A sugestão unificadora parece ser a mais equilibrada, pois apesar de manter-se universalista e negar o relativismo extremo do “tudo é lícito”, não descarta a possibilidade de evolução do pensamento.

Enfim, parece ser coerente dizer que os valores morais, ou éticos, se encontram em um nível superior aos "valores" locais e culturais. Sem valores universais a vida em sociedade seria cruel e não direcionada. Posso dar um exemplo de "valor universal": a compaixão. A vida sem colocar-se no lugar do outro é inviável em qualquer sociedade, pois não nos seria garantido nenhum direito; além de que, da compaixão outros valores podem ser derivados, como o amor aos seres, honestidade, lealdade, etc. É mais ou menos assim que um verdadeiro valor é percebido, pois, de certa maneira já se encontra em nós, e este se dá através do desenvolvimento dos estágios cognitivos, como propôs Piaget. É convincente dizer que é desta forma que a moral se coloca, acima de culturas ou “valores locais”.
Termino, citando literalmente um trecho da conclusão do artigo estudado, que corrobora com minha opinião sobre o tema:

“Parece não haver dúvida de que não se encontram inversões na sequência de estágios [de desenvolvimento cognitivo, proposto por Piaget], porém a cultura parece influenciar a incidência de pensamento de determinado estágio em seus membros. Da mesma forma, em algumas culturas pode haver maior heterogeneidade de pensamento a nível intra-individual, e em outras, menos. Isto significa que em algumas culturas as pessoas podem apresentar simultaneamente respostas em dois ou três estágios, enquanto que em outras podem ser mais homogêneas, apresentando cada indivíduo uma predominância nítida de um estágio, com apenas algumas poucas respostas nos estágios adjacentes. Em outras culturas, ainda, podem não aparecer os estágios mais altos. Em suma, parece haver suficiente evidência de que a sequência de estágios é universal e de que há um cerne de valores universais, tais como o não prejudicar outrem, a lealdade, o cumprimento de promessas, o respeito à vida humana. A cultura atuaria como um fator modulador, acentuando alguns valores e tipos de raciocínio moral aqui, diminuindo a intensidade de outros ali, porém sem anular uma essência humana comum.”


Referências

Biaggio, Angela M. B.. Universalismo versus relativismo no julgamento moral”. Psicol. Reflex. Crit. vol.12 n.1 Porto Alegre 1999 .

Bar-Yam, M., Kohlberg, L., & Naame, A (1980). Moral reasoning of students of different cultural, social and educational settings. American Journal of Education, 88, 345-362. 
       
Biaggio, A. (1976). A developmental study of moral judgment of Brazilian subjects. Interamerican Journal of Psychology, 10, 71-73.       

Eckensberger, L.H. (1983). Entwicklung Sozialer Kognitionen. Stuttgart: Klett.         

Eckensberger, L. (1984). On structure and content in moral development. Trabalho apresentado no II Ringberg Conference, Alemanha, Jul. 22-29.     
    
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Gilligan, C. (1982). In a Different Voice. Cambridge, Ma.: Harvard University Press.       
  
Kohlberg, L. (1971). From is to ought How to commit the naturalistic fallacy and get away with it in the field of moral development. Em L. Mischel (Org.), Cognitive Development and Epistemology. (pp. 151-284). New York: Academic Press.      
   
Kohlberg, L. (1980). The meaning and measurement of moral development. Conferência apresentada no American Psychological Association. Toronto, Canadá.   
     
Kohlberg, L. (1984). Essays on Moral Development: Vol 2: The Psychology of Moral development. San Francisco: Harper and Row.        

Piaget, J. (1932). Le jugement moral chez l'enfant. Paris: Z. Alcan.         

Rest, J., Narvaez, D., Bebeau, M., & Thoma, S. J. (no prelo). Development, Domains, and Culture in Moral Judgment: A neo-Kohlbergian approach. Center for the Study of Ethical Development. Universidade de Minnesota.        

Rest, J., Narvaez, D., Bebeau, M.J., & Thoma, S.J. (1997). Moral Judgment Development in Adolescents and adults: A neo-Kohlbergian approach based on the defining issues test. (Manuscrito revisado submetido a publicação).        

Shweder, R. (1991). The astonishment of anthropology. Introduction to Thinking through Cultures: Explorations in Cultural Psychology. Cambridge, Mass.: Harvard University Press.      
   
Shweder, R., Mahapatra, M. & Miller (1987). Culture and Moral Development. Emn J. Kagan & S. Lamb (Orgs.) The Emergence of Morality in Young Chidlren. (pp.1-83). Chicago: University of Chicago Press.         

Snarey, J. (1985). The cross-cultural universality of social-moral development: A critical review of Kohlbergian research. Psychological Bulletin, 97, 202-232.     
   
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Turiel, E. (1983). The development of social knowledge: Morality and Convention. Cambridge, England: Cambridge University Press.      
   
Turiel, E. (1997). Cultural Practices are funny things. It depends on where you sit. Trabalho apresentado no IV Ringberg Conference (Alemanha).    
     
Turiel, E. (1998). Comunicação pessoal. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. (05.04.1998).         
Walker, L. (1984). Sex differences in the development of moral reasoning: A critical review. Child Development, 55, 677-191. 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Feliz Natal?

Acabei de voltar do supermercado. Fiquei pensando sobre todo aquele discurso sobre paz, amor... Te faço um convite a uma reflexão simples. Em quais das fotos o coração deve transbordar em amor, alegria e paz?

“Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor.” Pitágoras