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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Cartilha Gay: A Homossexualidade na Escola

Análise do Material Didático “Escola sem Homofobia”

Este post pretende analisar o capítulo “Retratos da Homofobia na Escola” do Material Didático “Caderno: Escola sem Homofobia”, também conhecido popularmente como “Cartilha Gay”, cuja veiculação nas escolas brasileiras foi proibida em 2011, pois foi entendida por grande parte da sociedade como um material questionável de ensino da sexualidade para crianças e adolescentes. O Caderno, idealizado pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas Travestis e Transexuais (ABGLT), faz parte do chamado “Kit Gay”, que é composto, além da cartilha, de uma série de seis boletins, três audiovisuais com seus respectivos guias, um cartaz e uma carta de apresentação.

É bastante óbvio que todos devam estar submetidos às mesmas leis e direitos, independentemente da orientação sexual “escolhida” e é evidente que mesmo em meio às diferenças é preciso haver respeito, não-violência e tolerância. Mesmo com esse pensamento em comum, a visão que será desenvolvida nesse trabalho não é essencialmente a mesma defendida pelo kit e será exposta com base em pensadores, psicólogos e artigos científicos antigos e atuais; pretende-se, fundamentando-se em ampla bibliografia, apresentar outros pontos de vista sobre a homossexualidade, bem como, explicitar pesquisas que apontam a comunidade homossexual (gays, lésbicas, transexuais e travestis) como mais propensa que a maioria da população geral a manifestar transtornos psicológicos, dependência química e desenvolvimento de algumas patologias, tais como a AIDS e HPV. A ideia com isso não é disseminar o preconceito, mas trazer subsídios mais verossímeis para que o debate e o ensino sobre este polêmico tema ultrapasse as esferas ideológicas e partidárias.



Apresentação

O Material Didático é dividido em capítulos; dentro de cada capítulo existem sessões e no final de cada uma destas sessões é sugerida uma dinâmica de classe para se fixar os “conhecimentos” expostos ao longo dos tópicos.
Este trabalho se limitará ao capítulo “Retratos da Homofobia na Escola” que é divido em alguns temas, dos quais dois serão abordados com mais detalhes, a saber: “Diversidade Sexual” e “Homofobia”.
O tópico “Diversidade Sexual” tem por finalidade atribuir um caráter natural, e não doentio, à homossexualidade, defendendo o ponto de vista de que a “pluralidade sexual” deve ser ensinada desde cedo nas escolas (sem definir claramente uma faixa etária), a fim de que se evite o preconceito. Essa parte ainda discorre sobre os grupos de minorias, que são teoricamente oprimidos por uma maioria heterossexual e machista. Segundo o material, o gay do sexo masculino é visto pela maioria “ignorante” como aquele que, devido a algum distúrbio em sua infância, abdicou seu status de macho e se deixou levar por uma passividade que não é inerente ao homem. Esta definição de gay, como um homem que recusou seu estado biológico, é aparentemente preconceituosa e bastante criticada pelo texto como uma visão retrógrada; porém, é ainda defendida por grande parte da população brasileira e mundial e, como será visto neste trabalho, não se funda apenas em preconceito como a cartilha tende a assumir.

Quando nos referimos à sexualidade, [uma analogia sobre gostos culinários] pode ser bastante útil. Deixemos combinado, desde o princípio, que estamos falando de dois âmbitos muito distintos. Mas, ainda assim, para entender as diversas possibilidades do desejo sexual humano, essa comparação parece pertinente. Eis um exemplo banal: entre nós, brasileiras/os, arroz e feijão representam uma espécie de unanimidade nacional. Mas como lidar com o fato de que existem muitas pessoas a quem esses alimentos simplesmente não agradam? Ninguém ousaria dizer, em sã consciência, que se trata de um “problema genético”; ao contrário, isso nos remete a pensar na pluralidade de gostos, advinda da curiosidade e da liberdade que cada uma/um tem para experimentar outros sabores.”
página 25

Ao final deste tópico a apostila sugere uma dinâmica de grupo chamada “Colocando-se no Lugar do Outro” subentendendo que a orientação sexual não pode ser alterada, classificando o homossexual como refém desta condição.
Já a sessão específica sobre a Homofobia trata da “Heteronormatividade”, conceito que, segundo a apostila, declara os homossexuais como desviados de uma conduta sexual moralmente correta. A ideia é dizer que a heterossexualidade é cultural e que o conceito de normalidade, defendida por esta cultura, é uma imposição que julga aqueles que não se encaixam nessa normatividade como pessoas doentes e moralmente sem referências. Esta discussão dá à homossexualidade, mais uma vez, um caráter determinístico, ou seja, de que uma vez que o indivíduo perceba-se homossexual, não poderá mais deixar essa condição. Portanto, como também será exposto adiante, existem relatos de uma considerável parcela de homossexuais que, incomodados como sua condição, procuram tratamentos psicológicos ou religiosos e tornam-se “novamente” heterossexuais.

A homofobia é uma decorrência inevitável da heteronormatividade, pois funciona como um modo de identificar e tentar punir todo e qualquer afastamento ou “desvio” em relação ao padrão heterossexual institucionalizado, uma vez que este é socialmente imposto a todos/as. A homofobia rotula e inferioriza uma imensa categoria de indivíduos e tem por consequência imediata suprimir ou impedir o exercício de direitos que são comumente acessíveis a todas as demais pessoas.”
página 34

Heteronormatividade é a ideia socialmente difundida e aceita de que, em princípio, todas e todos são heterossexuais e, portanto, a heterossexualidade é a sexualidade nata, natural ou padrão dos seres humanos – de modo que todas as demais manifestações da sexualidade são desvios da normalidade. O pensamento guiado por essa norma social estabelece que, ao ser identificado como macho ou fêmea, um corpo tem seu desejo sexual necessariamente dirigido ao sexo oposto. O processo de construção da heteronormatividade – através da produção e repetição incessante e obrigatória da norma heterossexual – mantém-se graças à “fiscalização” do cumprimento dessa lógica, da continuidade e da coerência sexo/gênero/sexualidade. Uma das faces dessa “fiscalização” é a homofobia, que torna excludentes aquelas/es que não se enquadram na heteronormatividade.”
página 59

Ao final da sessão, a apostila sugere mais uma dinâmica em grupo intitulada “Homofobia em Ação”, incentivando os alunos a relatar e refletir sobre casos de preconceito social: como os gays são visto em novelas, filmes e como são estereotipados em piadas e comentários do dia a dia.
O trabalho elaborado pela ABGLT diz não ser necessário se preocupar com as causas da homossexualidade e critica o modelo tradicional de família com pai, mãe e filhos classificando-o como um modelo opressor.

Correção

Como ponto positivo, a apostila desperta no aluno a importância de reconhecer as diferenças e abarcá-las em seu convívio. O preconceito, expresso nesse caso como homofobia, realmente existe. É preciso conscientizar a sociedade de que qualquer forma de agressão ou discurso que venha a prejudicar diretamente e objetivamente a vida dos homossexuais deve ser rechaçado. A homossexualidade é uma realidade e os direitos aos indivíduos que se relacionam com outros do mesmo gênero, como a união estável e a adoção de filhos (mesmo em meio às controvérsias que serão discutidas adiante) devem ser garantidos.
Entretanto, o material didático contém inúmeros pontos discutíveis, os quais serão abordados na sequência.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Instituto Royal e os "Testes em Animais"


Espero, NÃO com muita fé, que o caso "Instituto Royal", mesmo com suas incoerências, como a presença de vândalos e o choro hipócrita em cima dos beagles “fofinhos”, ajude a sociedade a despertar para uma discussão ética a respeito dos testes em TODAS as espécies de animais. Como budista não creio no antropocentrismo judaico-cristão, que considera que os animais são destituídos de uma alma imortal e que foram criados por "deus" para servir ao homem, o "rei" da "criação". Com efeito, acredito que não há nada que diferencie a vida de um animal e a vida de um humano, assim, defendo veementemente que a experimentação animal seja abolida e que novas tecnologias sem crueldade se desenvolvam. Sei, por experiência, que a argumentação de que as cobaias são bem tratadas, não sentem dor ou que o laboratório está sob fiscalização rigorosa não passa de balela e não garante qualidade de vida aos bichos.
Alguns até podem me questionar como sendo radical e hipócrita, haja vista que, provavelmente, use, mesmo que vez ou outra, remédios e vacinas que certamente são experimentados em outras espécies. A isso respondo: que diferença faria se eu, por exemplo, não tomasse uma vacina, ficasse doente e me sacrificasse? Minha debilidade ou morte fariam com que os experimentos parassem? Mudariam a consciência de toda uma população que do dia para noite começaria a boicotar marcas de medicamentos e cessaria o consumo de carne? Em termos práticos a resposta é "não", pelo contrário, além de morrer cedo (o que não desejo), levaria para o caixão o estereótipo de fanático. A única alternativa que me resta então é adquirir a menor quantidade possível de produtos oriundos do sofrimento dos seres; procuro também cuidar da minha saúde com exercícios físicos e boa alimentação, para que não fique frequentemente doente e precise de remédios. Enfim, por que eu me sacrificaria se posso seguir o caminho da conscientização? Procurar pensar na origem do que consumo e procurar humanizar as pessoas ao meu redor me faz hipócrita? Acredito ser mais racional permanecer vivo e ser um exemplo de vida equilibrada, do que agir emocionalmente considerando-me um "Jesus Cristo dos animais", mesmo porque o fato de sermos obrigados a nos utilizar de insumo animal atualmente, não nos isenta de procurarmos soluções éticas e incentivarmos o debate constante sobre o tema da vivissecção.
Mas voltando ao assunto abordado no primeiro parágrafo, disse ter pouca fé na manifestação do Instituto Royal por dois motivos: primeiro, porque o movimento ocorreu de maneira burra, com depredação e invasão de propriedade privada, causando a impressão de que os ativistas pelos direitos dos animais apenas seguiram a onda dos protestos em geral e que o objetivo era mais destruir a propriedade do que salvar os animais. Segundo, porque o assunto foi debatido na WEB por vegetarianos despreparados, cegos pela ideologia esquerdista. Caíram como patos na estratégia vermelha de invadir um grande laboratório, resgatar beagles (uma raça "fofinha", capaz de comover a opinião popular) e, desta forma, reuniram os ingredientes certos para justificar toda a arruaça.
Agora pergunto: por que não resgatam as galinhas em uma granja pequena ou uns porcos? Por que tinha que ser cachorro de raça em um local grande? O valor da vida de um cão de raça é superior a qualquer outra espécie? Vaca, porco e galinha não sensibiliza ninguém, mas estouro da propriedade privada, vandalismo e beagles são "sensacionais" e promovem "la revolucion". Talvez até defendam, com alguma razão, que o resgate foi emergencial para a preservação da vida dos cachorros, contudo, deveriam ter se contido tão somente no salvamento, sem vandalismos, nem os saques, que poderão transformar o Instituto em vítima nessa história toda e depor contra os ativistas e a nobre causa que defendem.
Concluindo, gostaria de deixar clara minha opinião de que sou estritamente contra a experimentação animal, pois não considero o homem superior aos demais seres. Mesmo que ainda não existam muitas alternativas de produtos "cruelty free" (neste site há uma lista deempresas que não testam em animais), devemos procurar agir de forma a minimizar o sofrimento de qualquer espécie, nunca deixando morrer o debate ético. À medida em que este tipo de discussão existir, como indivíduos racionais e de alta potencialidade que somos, certamente poderemos desenvolver métodos mais humanitários. O que nos resta fazer enquanto tais procedimentos não são elaborados é procurarmos ter uma vida equilibrada e de compaixão, evitando a utilização de produtos que levam o selo do sofrimento.
Sobre o caso "Instituto Royal", posiciono-me contra a forma de manifestação adotada, pois houve depredação e invasão de propriedade, características que não combinam com meu agir vegetariano e budista. Penso que a sensibilização maior se deu porque as vítimas eram cães de raça e não pela condição de serem “simplesmente” vidas. Por fim, não considero efetiva a forma com que a maioria dos veganos atua, principalmente quando estão aliados com anarco-comunistas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Escândalos Sexuais no Budismo Zen


Joshu Sasaki, New Mexico em 2007. Algumas ex-alunas dizem que foram levadas a acreditar que ser "agarrado" por ele era parte do treinamento zen

Desde sua chegada em Los Angeles do Japão em 1962, o mestre budista Joshu Sasaki de 105 anos (conhecido como professor de Leonard Cohen, o poeta e escritor), ensinou milhares de americanos em seus dois centros Zen na região e em um outro em New Mexico e ainda influenciou milhares de pessoas que buscavam a iluminação através de uma rede de cerca de 30 centros Zen desde Puget Sound até Princeton e Berlim. 

Sr. Sasaki tem também, de acordo com líderes de um conselho Budista independente realizado em janeiro, molestado sexualmente estudantes mulheres por décadas, tomando vantagem de sua posição de mestre e seu carisma.

As alegações contra Sr. Sasaki tem revoltado e chamado a atenção de Zen budistas dos EUA, que são parte de uma convivência cultural em que muitos participantes parecem conhecer, ou ao menos estar cientes de quem são seus principais líderes.

Sr. Sasaki não quis responder às perguntas feitas por Paul Karsten, um membro do Rinzai-ji, em seu principal centro em Los Angeles. Sr. Karsten alertou que um conselho de sacerdotes superiores do Sr. Sasaki está conduzindo seu próprio interrogatório, ouvindo relatos de vários estudantes de aparente significância, mas sem investigar nenhum caso a fundo.

Como Sr. Sasaki fundou e patrocinou tantos centros Zen e por ter prestígio de ter treinado no Japão, o peso de seu comportamento antiético poderá manchar todo o reconhecimento que ele obteve ao longo de sua vida.

Rinzai-ji -  Centro Sr. Sasaki, em Los Angeles

Tais evidências tem se tornado mais frequentes no Budismo Zen. Muitos outros instrutores tem sido acusados de má conduta recentemente, notavelmente Eido Shimano, que em 2010 foi "convidado a se retirar" da Zen Studies Society em Manhattan sob alegação de que teria mantido relações sexuais com estudantes. Críticos e vítimas têm apontado que a cultura Zen de segregação, patriarquismo e sexismo, além de uma quase-religiosa adoração ao mestre, são as principais causas dos abusos.

Estudantes ressentidos escreveram cartas para a administração de um dos centros do Sr. Sasaki já em 1991. Mas apenas em novembro deste ano, quando Eshu Martin, um sacerdote Zen que estudou com Mr. Sasaki de 1997 até 2008, postou uma carta no site sweepingzen.com, que o fato foi amplamente conhecido pelo mundo Zen.

Sr. Martin, atualmente um abade Zen em Victoria, British Columbia, acusou Sr. Sasaki de uma "carreira de má conduta", de "frequentes e repetidas pressões não-consensuais a estudantes do sexo feminino" a "coerção sexual em encontros para o 'chá' depois do fechamento do centro" e de interferir no casamento de seus estudantes. Após estas acusações de Martin, o conselho iniciou as entrevistas com estudantes atuais e antigos do Sr. Sasaki. Algumas mulheres dizem que ele as encorajava a crer que serem tocadas por Sasaki era parte do treinamento Zen.

O grupo Zen, ou sanga, pode se tornar a família mais próxima de alguém e é por essa razão que as testemunhas relutaram em falar sobre este assunto por tanto tempo.

Muitas mulheres que Sr. Sasaki tocou eram monjas residentes de seus centros. Uma mulher que não aceitou as investidas do Sr. Sasaki em 1980 foi desligada do grupo posteriormente. No relatório do conselho em 11 de janeiro, três membros denunciaram que Sasaki pediu às mulheres que mostrassem seus seios, como parte da 'resposta' para um koan" - uma espécie de charada Zen - para que demonstrassem 'desapego.'

Quando esse relatório foi postado no sweepingzen, os sacerdotes superiores do Sr. Sasaki responderam em um post que tal grupo "tem lutado contra a má conduta sexual de seu mestre Joshu Sasaki Roshi há algum tempo nos Estados Unidos" - esta foi a primeira vez que admitiram algo desse tipo.

Nikki Stubbs, que estudou em um centro zen com Joshu Sasaki 2003-2006, disse que seu mestre queria tocá-la de forma inadequada

Dentre aqueles que falaram ao conselho está Nikki Stubbs, que agora vive em Vancouver e estudou em Mount Baldy, um centro Zen de Sasaki a 50 milhas de Los Angeles, entre 2003 e 2006. Durante esse tempo, ela disse que Sr. Sasaki acariciou seus seios durante o sanzen (reunião privada); ele também pediu que ela massageasse seu pênis, o que causou à Nikki grande espanto.

Um monge para o qual a Sra. Stubbs contou sobre o acontecido tentou apaziguar dizendo que o Sr. Sasaki acreditava no estilo Roshi, que sexualizar era um meio hábil para algumas mulheres. A teoria do monge, comum no círculo do Sr. Sasaki, era a de que através de tal fisicalidade, a mulher pudesse subjugar o ego.

Uma antiga estudante do Sr. Sasaki, agora vivendo na região de San Francisco, disse que em Mount Baldy, no início da década de 1990, os monges confrontaram o Roshi e disseram que tal comportamento era inaceitável e que ele deveria parar. Contudo, a reclamação de nada adiantou. Depois de um tempo o Sr. Sasaki tentou também se justificar em  ensinamentos Zen para tocá-la, sob a afirmação de que 'o verdadeiro amor é entregar-se para tudo'. Em Mount Baldy, o isolamento pode comprometer o senso de realidade do aluno: "pode parecer mentira, mas quando você está nesse extremo estado de consciência," explica a ex-estudante, "vivendo em um mosteiro nas montanhas, sentada em silêncio por muitas horas do dia sua noção de limites é prejudicada."

Joe Marinello é um mestre Zen em Seattle que trabalhou na administração da Zen Studies Society em Nova York. Ele tem sido um crítico contundente do Sr. Shimano, o abade anterior que foi expulso da sociedade. Questionado sobre instrutores que dizem que o toque sexual é um método de ensino, ele repudiou. "Na minha opinião," disse por e-mail o Sr. Marinello, "é apenas uma distorção cultural e pessoal para justificar próprias predações."

Mas no Budismo Zen, estudantes muitas vezes ignoram as falhas de seus mestres, dizem os participantes. Alguns budistas definem sua filosofia em contraste com a religião ocidental: Budismo, eles creem, não tem as mesmas preocupações cristãs com valores como o sexo. Assim, o Zen exalta a relação entre mestre e discípulo como acima de qualquer coisa. "Fora a questão sexual que ocorreu," comenta uma mulher que atualmente vive em San Francisco, "minha relação com meu mestre foi uma das mais importantes que já tive."

Várias mulheres disseram que o ambiente Zen propicia o sexismo. Jessica Kramer, uma parteira em Los Angeles, foi assistente pessoal de Sasaki em 2002. Ela afirma que ele chegou a enfiar a mão em suas roupas, mas que ela sempre resistia às investidas. Jessica chegou a reclamar sobre a prática, contudo as pessoas, predominantemente homens sem muita simpatia, a aconselhavam a deixar que o líder tocasse seus seios.

Susanna Stewart começou a estudar com o Sr. Sasaki há 40 anos. Dentro de seis meses, ela disse que o Sr. Sasaki começou a tocá-la durante o sanzen. Tal sexualização, segundo a Sra. Stewart, "me levou a anos de confusão e sofrimento o que me causou ojeriza à religião Zen". Quando ela se casou com um sacerdote o Sr. Sasaki tentou separá-los incentivando até mesmo seu marido a ter relacionamentos extra conjugais. Em 1992, o marido da Sra. Stewrat se desfiliou do Centro Zen do Sr. Sasaki em North Carolina. Anos depois, sua esposa disse que ele recebeu mensagens de ódio dos membros de seu antigo grupo Zen.

O conselho de testemunhas que escreveu o relatório, não possui nenhuma autoridade oficial. Seus membros pertencem a American Zen Teachers Association, mas coletaram histórias por iniciativa própria, embora com um estatuto de apoio de 45 outros mestres e sacerdotes. Um desses autores, Grace Schireson, disse que os budistas Zen nos Estados Unidos tem interpretado mal a filosofia japonesa.

"Por sua longa história com a prática do Zen, pessoas no Japão possuem um certo ceticismo com relação a algum sacerdotes," comenta a Sra. Schireson. Mas nos Estados Unidos muitos fiéis desenvolvem uma "devoção com o guru ou mestre de uma maneira que suprimem o próprio senso crítico e inteligência emocional."

Na manhã de 07/02/2013, no Rinzai-ji, na rua Cimarron, em Los Angeles, Bob Mammoser, um monge residente, disse que o Sr. Sasaki está com a saúde muito frágil e que ele está basicamente afastado de qualquer ensino ativo. O Sr. Mammoser planeja realizar uma reunião para discutir que ação será tomada.

Sr. Mammoser conta que ele primeiro tomou conhecimento das acusações contra Sr. Sasaki nos anos 80. Mas que, apesar dos esforços dos acusadores da época, não houve evidências que comprovassem as acusações contra Sasaki e adicionou: "Não podemos nos esquecer que Roshi foi uma imponente e inspiradora figura, que através da prática budista auxiliou milhares de pessoas a encontrar mais paz, clareza e felicidade em suas vidas." E desta forma concluiu: "assim como há pros e contras quando você se casa com alguém, na relação mestre e discípulo ocorrem coisas desagradáveis e maravilhosas, de acordo com as qualidades e fraquezas das pessoas envolvidas."

Tradução: Prati Marcelo e Sandro Vasconcelos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Escândalos e Crise no Budismo Tailandês

A endêmica corrupção botando a fé em risco.

Mod pedindo bênçãos aos deuses budistas

Os críticos afirmam que o budismo tailandês se corrompeu e se perdeu com o tempo. Porém, esta não é a opinião de Mod e suas amigas, cuja devoção as mantém realizando toda a semana "ações meritórias" em busca de consolo no Wat Thai Mai, um dos templos budistas de Bangkok.

Ainda é cedo, mas o calor em Bangkok já é forte, a alta temperatura parece não deter o grande número de adoradores que surgem no Wat Thai Mai em mais um feriado. O cheiro de incenso e a fumaça são parte da palpável e caótica atmosfera em que as pessoas se espremem, determinadas a contribuir em troca de bênçãos, obtidas de algum poder superior.

Mod - cujo apelido significa "Formiga" em tailandês - é uma típica fiel do templo. Como contabilista de uma prestigiosa firma internacional, ela busca, nessa manhã, gerar méritos para que "as coisas sejam melhores neste Ano Novo."

Assim, passando de caixinha em caixinha, faz uma pausa diante da estátua do deus elefante Ganesha  depositando US$3.50 para a entidade. Quando pressionada sobre o significado de uma divindade hindu estar num templo budista, ela se esforça para arrumar uma explicação e acaba se convencendo, junto com suas amigas, que o que é sagrado e místico não se deve questionar. Ganesha é uma figura central no hinduísmo que partiu sua presa direita para escrever o Mahabharata e subsequentemente o Bhagavad Gita.

A experiência de Mod naquela manhã é um símbolo do sincretismo que se tornou o Budismo tailandês - composto igualmente de Animismo, Budismo, Hinduísmo e simples superstição. Por outro lado, outros grupos, incluindo os pertencentes do Mosteiro da Floresta, lamentam o estado em que o Budismo da Tailândia se encontra, julgando-o como corrupto, faminto de poder e sujo como o resto do país. Uma série de escândalos veio à tona recentemente, incluindo monges graduados abusando sexualmente de noviços. Muitos líderes religiosos foram acusados de comercialização da fé, incluindo captação fraudulenta de recursos.

Os Monges da Floresta na Tailândia, são conhecidos por sua ortodoxia, conservadorismo e ascetismo. Eles moldam sua prática e estilo de vida espelhando-se no próprio Buda e seus primeiros discípulos, mantendo vivas as práticas do Buda histórico, que muitas vezes habitou florestas, tanto durante sua busca espiritual quanto depois.

"Como podemos esperar ter um bom país quando nem mesmo a religião é pura?" um membro da Floresta disse para o jornal Asian Sentinel. "Parte do que esses Mosteiros estão ensinando não é nem mesmo Budismo!"

No prédio central do templo onde Mod faz sua adoração, as pessoas costumam chegar de madrugada, antes mesmo do Abade. Muitos vêm de bem longe com vários pedidos e angústias; alguns pagam qualquer coisa que suas pequenas economias permitem para conseguir algum milagre que cure seus parentes doentes. Outros estão dispostos a contribuir com expressivas doações para conseguir o que querem.

Entre aceitar doações e recitar antigos encantamentos em Pali, que a maioria da congregação não entende, alguns monges usam seus celulares ou pedem refresco para seus assistentes.

A corrupção dentro do clero tailandês tem sido um fenômeno comum há algum tempo. Em 1999, a Associated Press publicou uma reportagem afirmando: "Em sua essência, o Budismo é uma religião que ensina a renúncia do desejo de conforto material como uma maneira de aliviar o sofrimento e para que o encontro com o caminho da sabedoria seja possível; mas ao invés de evitar o conforto material, alguns monges de alto grau vivem em bairros luxuosos e dirigem seus Mercedes Benz".

Tais líderes ainda aspergem água sobre bens, edifícios públicos e até em aviões em troca de doações; prática considerada abominação diante dos Monges da Floresta. Tal procedimento, afirmam eles, não é ensinado em nenhum lugar do Tripitaka (textos sagrados).

Enquanto o verdadeiro Budismo pode ser um debate teológico melhor reservado para outro momento, a Tailândia tem tomado as manchetes globais com algumas singulares histórias relacionadas com a religião. A primeira veio logo após a morte de Steve Jobs, quando a seita Dhammakaya fez uma transmissão especial na televisão afirmando ter encontrado sua alma e presença no Céu.

A seita posteriormente ainda afirmou que Jobs tinha reencarnado como um ser "divino" com conhecimento especial e apreço pela ciência e arte em alguma Utopia. Nessa Utopia, ele teria certa de 35 ou 40 anos de idade e não mais era careca; "vivendo" como um guerreiro de nível intermediário e filósofo, num palácio celestial.

Vale ressaltar que a seita Dhammakaya é um dos grupos mais crescentes na Tailândia e atualmente tem um largo apelo popular. Seus adeptos enumeram centenas de milhares e seus templos estão espalhados pelo país e pelo mundo.

A história com Steve Jobs não é a única que ganhou reconhecimento internacional. Todos os anos milhões de tailandeses compram patuás e amuletos da sorte que supostamente os ajudam no dia a dia. Uma história que conquistou a imprensa internacional foi a presença de amuletos e tatuagens abençoadas por monges, que possuem propriedades especiais, tais como tornar o tatuado à prova de balas.

Muitos juram pelos amuletos, alguns até afirmam ter presenciado tais testes em primeira-mão. Mas quando pressionado a oferecer mais uma prova, o vendedor respondeu que seria ilegal testá-lo em pessoas, embora ele tenha amigos que foram testemunhas oculares. Um teste independente, há alguns anos atrás por um repórter, resultou num frango morto e um vendedor de tatuagens afirmando em seguida que a "mágica" só funcionava em humanos.

Independentemente disso, tais amuletos e tatuagens são incrivelmente lucrativos e com a proteção anti-balas podem chegar a US$10 mil.

Mas enquanto as manchetes internacionais se concentram nos aspectos "sensacionais" do Budismo tailandês, a Sangha local, ou o conselho supremo, está sob escrutínio e crítica depois de um período de escândalos sexuais e de corrupção. Sob o Cânone Budista, monges não estão autorizados a ter relações sexuais, pois isso traria o apego e desejo que os levariam ao sofrimento.

O Budismo local até pegou emprestado escândalos que erroneamente eram atribuídos exclusivamente à Igreja Católica, como processos judiciais contra monges acusados de abuso sexual durante treinamento de seus noviços.

E enquanto muitos tailandeses se sentem desiludidos sobre o caminho que algumas Sanghas têm tomado, muitos são relutantes em denunciar. É um tabu na cultura tailandesa; que Mod articula da seguinte forma:

"Nós fomos ensinados desde crianças que não há problema em não se acreditar em algo, mas há problema em se desrespeitar. Embora não aprovemos certas coisas que os monges fazem, eles não representam nossa religião como um todo. Somos budistas e sabemos no que acreditamos."

Ditas essas coisas, ela segue seu caminho com suas amigas até o prédio central, aguardando numa gigantesca fila a oportunidade de pedir por boa sorte através da purificação de seus carmas; num ato de devoção incompreensível.


Autor: Cod Satrusayang em 01/02/2013
Tradução: Marcelo Prati e Sandro Vasconcelos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Caso HBS (troca de emails com o arcebispo)

Creio que todos estão a par do ocorrido no meu desligamento da Honmon Butsuryu-Shu, se não, clique aqui.

Eu e o arcebispo da instituição trocamos alguns emails com o intuito de esclarecer o caso. Reproduzo a conversa na íntegra a seguir:

Primeiro contato:


Arigatougozaimassu.
Sr. Sandro.

Primeiramente devo me apresentar.

Sou o monge Correia do Budismo Primordial HBS. Também sou ex-responsável religioso do Templo Nyorenji e agora, pela Catedral em São Paulo, responsável geral por todos os templos e principalmente pelos procedimentos religiosos em todo o Brasil.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Muçulmanos queimam templos budistas em Bangladesh


Milhares de muçulmanos queimam templos budistas em Bangladesh


Motivo foi publicação no Facebook de foto que teria ofendido o Islã.
Não há informações sobre vítimas após incidentes em Ramu e região.

Milhares de muçulmanos incendiaram vários templos budistas no sudeste de Bangladesh, denunciando a publicação no Facebook de uma foto que consideram ofensiva para o Islã.

Cerca de 25 mil pessoas incendiaram ao menos cinco templos budistas e dezenas de casas da cidade de Ramu e em povados nos arredores, a 350 km da capital, afirmando que um homem de confissão budista da região publicou uma foto que insultava o Corão, declarou a principal autoridade do distrito, Joinul Bari.
Várias fontes não sabiam informar se havia vítimas.

Aproximadamente 90% dos 153 milhões de habitantes de Bangladesh são muçulmanos. Os budistas representam 1% da população e vivem perto da fronteira com Mianmar.

A violência contra budistas é pouco comum.

Nas últimas semanas, milhares de muçulmanos se manifestaram em Bangladesh contra o filme anti-Islã produzido nos Estados Unidos e as caricaturas do Profeta Maomé publicadas em uma revista francesa.

Fonte: G1-Globo.com